quinta-feira, 22 de abril de 2010

'Fico com medo de desapontá-lo', diz Johnny Depp de parceria com Burton

Colaboração entre os dois começou em 'Edward Mãos-de-tesoura' de 1990.
G1 participou de papo com o ator, destaque de 'Alice', estreia desta sexta.

Paoula Abou-Jaoude Do G1, em Los Angeles
Vinte anos depois da primeira colaboração, em "Edward Mãos-de-tesoura", Johnny Deep e o diretor Tim Burton continuam amigos dentro e fora do set de filmagens. Escolha fácil para cada nova ideia mirabolante do diretor, Depp confessa, no entanto, que ainda se sente "nervoso" sempre que embarca em um projeto de Burton.
Johnny DeppJohnny Depp como o Chapeleiro Maluco da "Alice no país das maravilhas" de Tim Burton (Foto: Divulgação)
"De uma maneira totalmente esquisita, fico com medo da possibilidade de que poderei desapontá-lo. Felizmente, acho que até o momento isso nunca aconteceu", diz o ator que desta vez encarna o Chapeleiro Maluco, uma das melhores coisas da versão de Burton para o clássico infantil "Alice no país das maravilhas", que estreia no Brasil nesta sexta-feira (23).
O G1 participou de uma entrevista em Los Angeles com o ator. Confira a seguir os melhores trechos.
Pergunta - Quando você leu o livro pela primeira vez?
Johnny Depp -
Lembro de ter lido uma versão condensada, provavelmente quando tinha cinco ou seis anos, e depois nunca mais li. Até alguns anos atrás. Neste ínterim, o que achei interessante é que os personagens ainda têm uma certa ressonância, eles ainda são interessantes e sobreviveram o passar do tempo. Ironicamente, eu tinha acabado de ler as duas partes de “Alice” quando Tim me ligou para falar sobre o projeto.
Crítica: Com parceiros de sempre,Tim Burton cria uma 'Alice' infantil

Pergunta- Qual o significado dessa história para você?
Depp -
Lembro de ter marcado e sublinhado todos esses incríveis trechos da história. O livro estava todo deformado quando eu terminei. Foram tantos achados, pequenas intrigas e incríveis aperitivos deixados por Lewis Carroll que o meu livro ficou torto. Além de poder usar toda a imaginação, eu ia descobrindo essas rimas enigmáticas, como ‘por que um corvo se parece com uma escrivaninha?’. Eu achei o livro tão fascinante que poderia lê-lo novamente e provavelmente encontrar cem novas coisas que me passaram despercebidas da primeira vez.
Pergunta - O Chapeleiro Maluco tem os seus altos e baixos emocionais. Como você lida com a sua própria variação de humor?
Depp -
Com forte medicação! (risos). Não, falando sério, você apenas tenta fazer o melhor. Mas eu posso dizer que, pessoalmente, em termos de variação de humor, eu sou muito mais calmo e tranquilo agora do que era alguns anos atrás. E isso tudo porque sou um pai de família agora. Muito dessa serenidade tem a ver com o fato de precisar responder o máximo de dúvidas ou perguntas feitas pelos meus filhos. Meus filhos me acalmaram 100%.
Pergunta - Você já desceu até o fundo da toca do coelho?
Depp -
Bem, todos nós algum dia descemos ao fundo da toca do coelho em algum momento de nossas vidas. Tive a sorte de descer bem, mas bem cedo em minha vida. E agora esse buraco é diferente por causa dos meus filhos e da minha família. Estou sempre alerta para enxergar este buraco antes, para que eles não caiam nele.
G1 entrevista: Tim Burton diz que sua versão é a menos amalucada de ‘Alice’
Pergunta - Como foi trabalhar diante de uma tela verde?
Depp -
Sempre gostei desse tipo de desafio. Ao trabalhar com outros atores, há momentos em que você tem que ficar bem focado no outro, essencialmente nos olhos daquela pessoa, e certamente eles estão te dando algo em troca, fazendo metade do seu trabalho, pois, em vez de atuar, você está reagindo a eles. Agora, quando se trabalha num ambiente que é potencialmente tão absurdo e tão ridículo, um outro tipo de reação acontece. Se estou fazendo uma cena em que literalmente preciso olhar para uma bola de tênis verde, algo totalmente ao contrário e diferente, mas nem por isso menos interessante, vai acontecer. Eu sempre levei na boa esse tipo de trabalho, mesmo estando dentro de um estúdio gigante, rodeado dessa cor verde horrível e com atores querendo vomitar no final do dia. Tive uma experiência agradável porque toda essa esquisitice acabou me ajudando e dando uma outra dimensão para a minha performance como o Chapeleiro Maluco. Justamente porque tudo era muito bizarro (risos).
Jhonny Depp e Tim BurtonJhonny Depp e Tim Burton (Foto: Divulgação)
Pergunta - Essa é sua sétima colaboração com Tim Burton. Como acha que o relacionamento amadureceu ao longo desses 20 anos?
Depp -
Em termos do processo de trabalho num set de filmagem, não mudou nada. Continua o mesmo. O atalho que construímos ao criar uma linguagem obtusa, que só nós somos capazes de falar, ainda está lá, intacto, como no tempo de “Edward Mãos-de-tesoura”. Mas é claro que em 20 anos trabalhando tão próximos a gente começou a se conhecer melhor. E, de uma maneira totalmente esquisita, acho que, como ator, fico um pouco nervoso cada vez que embarco num novo projeto dele. Fico com medo da possibilidade de que poderei desapontá-lo. Felizmente, acho que até o momento isso nunca aconteceu.
Pergunta - Como você se envolveu com o filme “The tourist”?
Depp -
Foi um convite que surgiu do nada, mas gostei muito do filme do Florian (Henckel von Donnersmarck), o “A vida dos outros”. Também nunca tinha me encontrado antes com a Angelina Jolie. Então nós três nos encontramos e conversamos. Eu achei a Angelina uma mulher cheia de predicados, séria a respeito do que faz, que ama o marido e os filhos. Fiquei muito impressionado com ela. E a historia do filme também me pegou, porque tem um jeito parecido com os filmes de Hitchcock que a gente não vê mais. Outra coisa é que eu não estava sendo fotografado o suficiente pelos paparazzi (risos), então achei que seria legal eu ficar saindo com o Brad e a Angelina em Veneza (risos).
Pergunta - E o documentário sobre o Keith Richards. Você ainda tem planos para dirigi-lo?
Depp -
O documentário sobre o Keith surgiu do fato de passarmos muito tempo juntos ao longo dos anos. Toda vez que ele não estava em turnê, ou eu não estava filmando, a gente acabava se sencontrando na suíte do hotel dele, em minha casa ou na casa dele em Nova York, sempre conversando sobre essas incríveis histórias, que nunca foram faladas em público. Então sugeri que poderíamos tentar um documentário, e ele meio que disse que sim. Por vários anos, ele sempre meio que disse que sim, ou talvez, ou um vamos ver. Até que um dia deu a bênção final. É uma coisa que estamos fazendo juntos. Rodamos uma série de entrevistas por cinco dias, o que considero uma primeira parte do projeto. Vamos nos reunir, ver o material que temos e o que podemos aproveitar disso. Na verdade, não tem muita direção minha. Foi só ajeitar a câmera e captar o que Keith tinha a dizer.

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