
Após a empolgação da estreia e ótimas bilheterias, Cidade de Deus foi nosso indicado ao Oscar de filme estrangeiro. Surpreendentemente não ficou entre os cinco finalistas, foi um balde de água fria. Mas, o júri da categoria é formado por pessoas mais velhas, tradicionais e a violência do filme de Meirelles acabou os assustando. Ele, então, estreou nos Estados Unidos com grande impacto, não por acaso, no ano seguinte estava lá na cerimônia mais importante da indústria e em quatro categorias: Melhor diretor (uma das mais importantes), melhor roteiro (mesmo sendo um roteiro em português), melhor montagem (elevando Daniel Rezende também ao estrelato) e melhor fotografia.

De certa forma é, tanto que Hollywood classificou a obra como filme de gangster. Mas, qual é o problema de unir entretenimento com temas sérios e polêmicos? De fato, boa parte dos espectadores de Cidade de Deus não se preocupavam muito com os problemas do protagonista Buscapé, aproveitando o filme para se divertir com as frases clássicas de Zé Pequeno (Dadinho, o ...). Mas, não deixa de haver uma autenticidade e uma denúncia naquela construção bem feita de uma obra de entretenimento. Tanto que teses foram criadas a partir dele e a discussão ganhou vários níveis, inclusive o de Bentes.

Depois dele, muitos vieram, uns bons, outros nem tanto, mas hoje é inegável a diversidade docinema brasileiro, que é visto por muitos como sinônimo de qualidade. As comédias continuam sendo a maior bilheteria, é verdade, mas temos representantes diversos, com bons públicos, não apenas cinemas independentes pouco vistos. Fernando Meirelles provou ser possível com poucos recursos, uma estratégia de não-atores, e muito planejamento construir um filme eterno. Porque depois de dez anos, Cidade de Deus continua vivo, atual, marcante.


Para encerrar, uma homenagem dos estúdios Maurício de Souza a pedido da Petrobrás para o filme. Crédito para Herculano Neto, que postou essa divertida peça em seu blog Por que você faz poema? no dia em que o filme completou 10 anos de lançamento (30 de agosto de 2012), fazendo-me lembrar dela.