quinta-feira, 6 de maio de 2010

Alice (o filme)

Postado por Zeca Camargo em 26 de abril de 2010 às 13:00
alicezecaE então? Leu o livro? Prepare-se para um choque! Se você achou, por exemplo, qualquer adaptação da saga Harry Potter para a tela do cinema uma traição ao texto original, você não vai pensar duas vezes antes de condenar Tim Burton pelo crime de “apropriação livre” da obra-prima de Lewis Carroll – comentada aqui no post anterior. Condenação, aliás, que ele não merece.
Porque, apesar de todos os obstáculos (muito trabalho no fim-de-semana, e uma procura absurda por ingressos – que me obrigou a sentar na última poltrona da extrema esquerda da sala de um cinema), eu assista à “Alice no País das Maravilhas” este fim-de-semana. E me diverti muito!
Poderia ter sido o contrário – isto é, eu poderia ter me entediado muito, se eu tivesse entrado num clima de comparar o roteiro do filme com a história original. Mas, já tendo lido algumas resenhas na imprensa americana (todas alertando sobre as “liberdades poéticas” que Burton havia tomado), nem me incomodei quando, logo de cara, no lugar de ver Alice brincando num jardim antes de encontrar um coelho com pressa, encontro um grupo de senhores ingleses tendo sua conversa interrompida por uma menina (Alice, claro), que não consegue dormir por causa de um pesadelo recorrente – que começa, como você já pode imaginar, depois que ela cai num buraco…
Depois disso, a história é catapultada para alguns anos depois, quando a menina já está em idade casadoira (o que, na Inglaterra de meados do século 19, deve corresponder a uns 16/17 anos) e resolve escapar de uma temerária proposta de casamento… isso mesmo: correndo atrás de um coelho com pressa! Inevitavelmente, ela o segue até o buraco no pé de uma árvore – e cai nele… Dali para frente, é melhor você fazer como a própria Alice e perder o referencial: abandonar tudo que você conhece (ou tudo que você se lembra) do livro e aceitar mais este convite para entrar no mundo ensandecido de Tim Burton. Acredite: você não vai se arrepender…
Antes de falar mais propriamente do filme, mais um aviso. Não sei se foi porque eu sentei muito (mas muito!) longe da tela, poucas foram as vezes em que “senti” que estava vendo um filme em 3D. Com a lembrança de “Avatar” ainda forte nas minhas retinas, esperava algumas tomadas mirabolantes – especialmente porque a comunhão entre os caminhos fantasiosos de Alice com a visão fantástica de Burton seria uma combinação perfeita para isso. No entanto, insisto, foram poucas as vezes em que achei que estava usando aqueles óculos terríveis (será que eles são tão feios assim justamente para as pessoas não levarem para casa?) por um motivo justo… (Li em algum lugar que o filme não teria sido concebido originalmente como uma obra em 3D, o que me parece fazer todo o sentido).
Ah, e tenho de fazer mais uma observação também antes dos elogios: a coisa que mais lamentei em toda a adaptação foi que o delicioso “non-sense” do livro de Carroll – que faz com que as passagens da história se desenrolem sem nenhuma relação lógica entre elas (como disse no post anterior, mais ou menos como funciona a imaginação de uma criança) – foi sacrificada na produção hollywoodiana, para que tudo se transformasse numa grande “batalha entre o bem e o mal”…
Como quem leu o livro pode concordar, tal conflito simplesmente inexiste no livro. A Rainha Vermelha manda cortar a cabeça de quase todo mundo, é verdade – mas ninguém cumpre suas ordens… O Chapeleiro é sem dúvida uma pessoa “do bem” na história original, mas está longe de ser um mártir que luta para que a bondade da Rainha Branca prevaleça. E as coisas mais “perigosas” que Alice leva consigo, na concepção de Carroll, são dois pedaços de cogumelo (um para fazê-la crescer e ou para ela diminuir de tamanho) – nunca a temida espada de Vorpal!
Fora esses… “detalhes”, quase nada me incomodou na adaptação de Tim Burton para “Alice”. Poderia até reclamar que passagens como o “lago de lágrimas” da própria Alice simplesmente desapareceu na tela grande (e olha que isso seria “pano para manga” na imaginação desse diretor!). Poderia perguntar, por exemplo, onde foi parar a engraçadíssima marmota dorminhoca presente no chá do Chapeleiro (ou a Falsa Tartaruga). Ou por que o diretor insistiu no erro de adaptações anteriores e incluiu os “gêmeos” Tweedledee e Tweedledum na trama de “País das Maravilhas”, quando na verdade eles pertencem ao “País do Espelho”… Mas você vai achar que eu estou sendo “purista” – tradução: chato!
E eu simplesmente não quero passar essa impressão ao comentar o trabalho de um dos diretores que mais me surpreenderam desde que eu comecei a ir no cinema – um hábito que remonta aos idos de 1971, quando os cinemas passavam a primeira versão de “A fantástica fábrica de chocolate” (refilmado por Tim Burton em 2005), ou mesmo antes disso…
Pode pegar qualquer trabalho seu. “Edward mãos-de-tesoura”, por exemplo – o filme que colocou Burton no mapa (eu sei, ele já havia feito um “Batman” e “Os fantasmas se divertem”, mas foi mesmo com “Edward” que ele disse ao que veio…). Se, como eu, você teve o prazer de ver esse trabalho pela primeira vez no cinema (ele é de 1990… hummm, você teria de ter mais de 30 anos para se encaixar nesse grupo, certo?), deve se lembrar do encantamento que essa experiência trouxe!
Ou podemos falar de “Ed Wood” (1994) – uma biografia do diretor homônimo, tão absurda que parece ter sido inventada (só como referência, é bom lembrar que um de seus trabalhos mais famosos é “Plano 9 do espaço sideral”, considerado um dos piores filmes de todos os tempos – e se você tiver dúvidas, assista ao trailer da época do lançamento, 1959). Esse é talvez o meu filme favorito de Burton – totalmente inesperado (o que é a visão de Johnny Depp, que faz o papel principal, vestido de angorá?), obscuramente cômico, e genial!
Eu gosto até mesmo do pequeno desastre que foi sua versão para “Planeta dos macacos” (2001), e fui um dos que defenderam com mais entusiasmo sua adaptação para o cinema do musical da Broadway “Sweeney Todd”, já comentada neste espaço. “Marte ataca!” é um dos DVDs que eu salvaria em caso de incêndio na minha casa. Como fã antigo de Pee-Wee (uma paixão por um personagem que levaria um post inteiro para explicar, e, por isso, é melhor deixar para outra hora!), coloco seu filme de 1985 nessa lista de preferências. E “Alice” certamente também vai fazer parte dela.
Nem que seja apenas pela performance de Helena Bonham Carter, como a Rainha Vermelha…
Com aquele cabeção – que provavelmente você viu no trailer –, ela é uma presença tão bizarra na grande tela, que você fica torcendo para a Rainha aparecer de novo logo, assim que uma cena sua termina. Ao contrário do Chapeleiro de Johnny Depp – que está uma nota apenas abaixo do histriônico exagerado e aparece talvez um pouco demais ao longo da trama –, a Rainha de Carter é um deleite de maldade! No entanto, a própria Alice (vivida por Mia Wasikowska) não me convenceu por inteiro – e quem é aquele valete, interpretado por Crispin Glover? Mas as pequenas interferências da Lagarta Azul (com a voz de Alan Rickman) e, sobretudo, do Gato Inglês (no timbre suave de Stephen Fry) me animavam cada vez que a história teimosamente tentava fazer sentido…
De certa maneira a melhor atitude para se divertir com “Alice” é a mesma que eu adotei para não me aborrecer com “Avatar”: encarar o filme todo como uma curiosa sucessão de “tableaux” – ou “quadros” carregados de imagens fortes. A curiosidade para seguir as aventuras dessa “Alice” até o fim depende mais da pergunta “e o que será que meus olhos vão ver agora?” do que do seu envolvimento com a trama. Não que ela seja ruim – ela é apenas desinteressante. E, exatamente por isso, eu aplaudo a habilidade de Tim Burton de criar, mais uma vez – e com todas essas adversidades – um cativante caleidoscópio cinematográfico.
Bem…
Estou aqui cheio de elogios – todos, insisto, merecidos. Mas não quero terminar o texto sem admitir que, pelo menos de leve, estou um pouco decepcionado com a adaptação… Talvez porque eu tenha relido “Alice no país das maravilhas recentemente”, tudo que eu queria era ver nas telas algo mais próximo das páginas criadas por Lewis Carroll… Fiquei com isso na cabeça por horas depois de ver o filme – até concluir que uma interpretação fiel do livro daria, hum, talvez um filme bem menos interessante…
Sério! Relendo algumas de suas passagens antes de escrever este post, acabei achando que o universo absurdo criado por Carroll – e que funciona tão bem no papel (principalmente porque oferece um material riquíssimo para a imaginação de quem lê) – não renderia um filme muito atraente para o grande público. Afinal, o cinema, com sua abundância visual, deixa muito pouco para a fantasia…
A “Alice” de Burton é sim uma festa visual – e eu recomendo com louvor. Mas para viver todo o imaginário dos personagens criados por Carroll, ainda prefiro dormir com o livro na minha cabeceira…

Alice (o livro)

Postado por Zeca Camargo em 22 de abril de 2010 às 11:53
Capa 
de 'Alice no país das maravilhas' pela editora Cosac NaifyA expectativa é grande… Afinal, o que se pode esperar do diretor mais enlouquecido de Hollywood filmando a história infantil mais enlouquecida de todos os tempos? Não sei nem mais quantas vezes eu já assisti ao trailer de “Alice no país das maravilhas”, de Tim Burton, mas foram várias (não só no cinema, mas também na internet ). Mas sei que a expectativa é grande.
Tanta, na verdade, que me inspirou até a reler o livro original como uma espécie de preparação para a estreia – que no Brasil acontece nesta sexta-feira (23), algumas semanas (sete, para ser exato) depois de o filme ser exibido pela primeira vez nos Estados Unidos, onde já arrecadou mais de US$ 300 milhões! Devo assistir à nova adaptação de “Alice” neste fim-de-semana (não sei bem quando vou ter tempo para isso… mas vou dar um jeito!), e devo, obviamente, escrever sobre ele aqui já na semana que vem. Nesse meio tempo, porém, achei que seria interessante entreter você com um comentário sobre o livro. E começo perguntando: você já o leu? Mesmo?
“Alice no país das maravilhas” é um daqueles clássicos tão onipresentes na vida da gente que muitos nem precisam lê-lo de fato para poder soltar uma citação. Não digo que as pessoas fazem isso de propósito – pelo menos não no sentido de querer impressionar alguém com essa leitura, blefando numa conversa literária (na curiosa atitude defendida pelo escritor francês Pierre Bayard, no seu delicioso volume “Como falar de livros que não lemos?”, da editora Objetiva, já comentado neste espaço). Mas às vezes as pessoas “acham” que já leram “Alice” pelo simples fato de a obra já fazer parte de uma espécie de “imaginário coletivo”.
Eu mesmo não consigo me lembrar se cheguei a ler mesmo “Alice” quando criança – ou, pelo menos, se a ouvi contada por algum “adulto” (pai, mãe, tios, primos) que a escolheu para me divertir numa tarde ociosa. Ou será que meu contato com o trabalho mais conhecido de Lewis Carroll foi por conta da adaptação (sob a forma de desenho animado) dos estúdios de Walt Disney? Essa minha confusão – assim como a própria lembrança nebulosa da sequência de eventos da história (mais sobre isso daqui a pouco) – não é uma exceção. Com várias pessoas com quem conversei (mais ou menos da minha geração), a sensação era a mesma: a memória de “Alice” era sempre difusa. Mas nunca menos que presente – o que só reforça a relevância da história…
Mesmo anos depois da minha infância (e estamos falando, como todos sabem, de uns quarenta e poucos…), sou capaz de lembrar de fragmentos de “Alice sem esforço – o que não me impediu de ter algumas surpresas ao reler, há poucos dias o original…
Entre “meus verdes anos” e essa minha atual suposta maturidade (mesmo aos 47, considero um atrevimento falar de mim mesmo como uma pessoa madura, mas eu divago…), lembro-me de ter investido “oficialmente” em “Alice” só uma vez – no final da minha adolescência, quando eu começava a me arriscar a ler livros inteiros em inglês. Ainda sem o treino suficiente para encarar grandes volumes, achei que ler um pequeno tomo que compreendia as duas histórias de Alice (no “país das maravilhas” e “no país do espelho”) seria moleza… Não foi, é claro – não só por que meu vocabulário de inglês ainda não era muito extenso (e Lewis Carroll caprichou nas suas descrições!), mas também pelo ritmo frenético da história, que só fazia confundir aquele garoto que achava que já dominava bem aquela língua…
Enfim, depois disso, nunca mais retomei o livro. E só agora, com a chegada da adaptação de Tim Burton às telas, me senti inspirado a revisitá-lo. A onda de lançamentos também ajudou. Nos últimos dias, tive o prazer de entrar em várias livrarias e encontrar sempre um nicho com várias versões da obra de Carroll expostas. E, entre tantas opções, acabei escolhendo a edição da Cosac Naify para me deleitar.
Não foi uma decisão tão gratuita assim. Primeiro pela escolha do tradutor – Nicolau Sevcenko, escritor e historiador, com quem esbarrei logo cedo na minha carreira de jornalista, e por quem tenho admiração desde então. Depois, pela escolha do ilustrador – o artista plástico Luiz Zerbini. As imagens que ele criou para acompanhar a história são de um refinamento que poucas vezes se vê num livro que pretende agradar tanto crianças quanto adultos. Se as imagens evocam as ilustrações antigas que sempre acompanhavam a narrativa insana de Carroll, a releitura delas por Zerbini – que fez dos personagens do livro silhuetas recortadas em cartas de baralho (eternamente associadas à própria história de Alice) – é nada menos do que genial!
Ilustrações de Luiz Zerbini para a edição de 'Alice' da Cosac 
Naify.
Assim, num fim de tarde recente, sentei-me ao ar livre (tentando evocar, quem sabe a própria atmosfera sugerida no início do livro quando Alice vê pela primeira vez o coelho “com pressa”) e mergulhei junto com a protagonista num buraco de aventuras inusitadas. Aliás, bem mais inusitadas do que eu podia me lembrar…
De cara, um dos maiores prazeres de ter relido “Alice no país das maravilhas” foi ter redescoberto o absurdo! Bem menos “coerente” do que aquela lembrança do desenho da Disney podia sugerir, as peripécias de Alice não têm nada de linear! Situações e cenários sucedem-se de maneira tão delirante, que – penso agora, já adulto – esse deve ser um dos segredos principais da obra para exercer seu fascínio de maneira tão cativante em todas as crianças. A mágica de Carroll, ao que me parece, consiste justamente em seguir a “lógica” de um pensamento infantil – mas que não mão de um adulto brilhante como ele (já prestou atenção num detalhe de sua biografia que diz que ele era matemático?) transformou-se num sofisticado jogo de imaginação.
O que mais me encantou nesse reencontro não foi tanto o conjunto de personagens – que afinal, faz parte do já citado “imaginário coletivo” -, mas os pequenos detalhes que emprestam à história uma lógica infantil. Vou dar um exemplo: quando Alice ainda está caindo no buraco – uma ação que demora mais do que o “previsto” (como prever quão longa vai ser uma queda?), e que por isso provoca nela um pensamento típico de uma criança que não consegue calcular o tempo (”Ou o poço era realmente profundo, ou ela caía muito devagar”) -, enfim, ao longo da queda, ela repara que o percurso é cercado de paredes com vários objetos familiares, e interage com eles:
“De passagem, apanhou um pote numa prateleira. Nele estava escrito: GELEIA DE LARANJA, mas para sua tristeza, o pote estava vazio e ela o colocou de volta em outra prateleira pela qual passava então, pensando que, se o atirasse fora, poderia acertar a cabeça de alguém”.
Bem, se você está caindo num buraco, sua última preocupação é acertar um pote vazio de geléia na cabeça de alguém… Isso, claro, se você for um adulto, porque se você for uma criança… faz totalmente sentido!
alice240A curiosidade de Alice é tipicamente infantil – tão autêntica, que é capaz, inclusive, de desafiar o raciocínio adulto. Como, para dar outro exemplo, nesse diálogo com o Chapeleiro (que, pelo menos nessa tradução, não é chamado de “Maluco”, apesar de o Gato Inglês, ao apresentá-lo para Alice, deixar claro que ele é tão louco quanto a Lebre Aloprada!). Diz ele:
“O Tempo não tolera ser marcado. Mas se você se der bem com ele, ele pode fazer tudo que você quiser com o relógio. Por exemplo: suponha que sejam oito horas da manhã, hora de começar a estudar. Você só teria de sussurrar umas palavrinhas no ouvido do tempo e, num piscar de olhos, meio-dia, o almoço está na mesa!
- Bem que eu gostaria – suspirou a Lebre Aloprada.
- Seria uma maravilha, com toda certeza – disse Alice pensativa. – Mas, nesse caso, eu ainda não estaria com fome, não é?
- Na mesma hora não, é certo – respondeu o Chapeleiro. – Mas você poderia manter o relógio em meio-dia por quanto tempo quisesse.”
Brilhante, não é? E tanto do ponto de vista adulto quanto do infantil!
Na sequência alucinada de eventos – nem todos frescos na minha memória (por exemplo, eu não tinha nenhum registro da Falsa Tartaruga; e tinha uma vaga lembrança que o que a mesa de chá do Chapeleiro estava posta para comemorar um “desaniversário”, algo que nem é mencionado nessa tradução do original) -, fui viajando no mesmo espírito de Alice. Por vezes, confesso, até um pouco irritado com tamanho desprendimento de uma história que fizesse sentido…
Todas vezes que vinha essa irritação, porém, me lembrava de que, a rigor, aquilo não havia sido escrito para mim – pelo menos não para mim aos 47 anos… E então me esforçava para transportar-me de novo aos meus cinco, seis ou sete anos, e me deliciar com a queda livre de associações que só uma criança é capaz de aproveitar por completo (Nós adultos, tão comprometidos com o “raciocínio formal”, tão cheios de buscas de sentidos para as coisas, tão inundados com os “comos” e os “porques”, raramente nos damos o direito a essas livres associações de idEias – a não ser quando estamos realmente apaixonados, mas eu divago novamente… Será o efeito “Alice”?).
E foi nesse espírito que concluí, em pouco mais de uma hora, a (re)leitura de “Alice no país das maravilhas” – extremamente satisfeito de ter sido provocado, na minha imaginação, por essa sucessão de imagens tão mirabolantes e sedutoras. Afinal, que criança não gostaria de passar pelas mesmas aventuras, mesmo sabendo dos riscos, ciente de que vai passar por situações assustadoras (um bebê com cara de porco! uma rainha que manda cortar a cabeça de todos!)? Esta “criança” aqui que vos escreve adoraria ter passado por tudo aquilo.
E o que mais me encanta é que toda essa viagem foi provocada por um objeto que todo mundo adora dizer que está ficando obsoleto… um livro! Termino o texto de hoje com essa pequena provocação – e não é à toa. Esta semana vi a demonstração da “aplicação” de “Alice” para o iPad – vi primeiro no iPhone de um amigo e, depois, no próprio iPad de um outro amigo (que, devo admitir, deixou-me corado de inveja, um sentimento que eu achava que meu budismo diletante já havia superado…). Fala sério!!!
Só de ver essa demonstração da “app” (o irritante apelido das “aplicações”), fiquei arrepiado – e isso não é uma figura de linguagem! Imagine que você é uma criança e tem um iPad na mão e aproveita para ler “Alice” nele… Sabe o que vai acontecer? Você vai se apaixonar mais ainda pela história – sua imaginação tem tudo para se expandir ainda mais com aquele estímulo visual e narrativo. Mas o que mais me emociona mesmo, insisto,  é saber que por trás de tudo isso – da “app”, e mesmo do filme (sobre o qual vou escrever aqui na segunda-feira) -, tem um livro fascinante.
E mesmo que uma geração inteira seja apresentada a “Alice no país das maravilhas” por essa incrível ferramenta tecnológica, quem sabe essas crianças se interessem um dia em ir até uma biblioteca e fuçar de onde vem tantas histórias legais…

Johnny Depp é fascinado por velas perfumadas

Ator gasta US$ 100 por dia com o mimo
QUEM Online
.Reprodução
Johnny Depp
Johnny Depp parece ser um amante de velas perfumadas. De acordo com o site “Showbiz Spy”, o que torna o hábito do ator de “Alice no País das Maravilhas” singular seria a quantidade de dinheiro que ele investe neste simples mimo.

"Ele gasta cerca de US$ 100 (R$ 179) por dia. Seus favoritos são especiarias e lavanda. "Eles queimam o dia todo”, disse uma fonte.
Atualmente, Johnny está concentrado nas gravações de “The Tourist”, no qual atua em parceria com Angelina Jolie.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Piratas do Caribe 4 passa por revisões de orçamento

Estúdio enxuga cenas e efeitos para baratear custos


Piratas do Caribe
Segundo o The Los Angeles Times, às vésperas do início das filmagens, a Walt Disney Pictures está tentando enxugar o orçamento de Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides, quarto filme da série Piratas do Caribe.
O estúdio atualmente discute com os roteiristas Ted Elliott e Terry Rossio para que a maioria do filme se passe em terra firme, devido ao alto custo de filmagens em alto mar. Pelo mesmo motivo a Disney mudou os locais de filmagens. A ideia original era rodar no Caribe e Los Angeles. Agora, a produção migrou para o Havaí e Londres, onde incentivos fiscais são mais favoráveis.
O orçamento mais modesto atingirá também os efeitos especiais. No último - e exagerado - filme foram 2 mil cenas com efeitos. Neste serão cerca de 1400. Os dias de filmagens também serão sensivelmente reduzidos de 142 em Piratas do Caribe: No Fim do Mundo para 90.
O jornal ainda entrega uma cena que foi cortada: um "parque no gelo", que teria uma feira de atrações montada sobre o rio Tâmisa congelado. Outra sequência reduzida é uma perseguição de carruagens. Será 50% mais curta.
Parece que a Disney está no caminho certo. A ideia de filmes cada vez maiores não funcionou para a primeira trilogia, criticadíssima pelo superelaborado, mas inferior, terceiro filme. Ao retornar à escala do primeiro o estúdio tem que apostar em uma boa história para manter o público interessado nas aventuras de Jack Sparrow (Johnny Depp).
No elenco estão Geoffrey Rush (Barbossa), Ian McShane (Barba Negra), Penélope Cruz (a filha de Barba Negra), Stephen Graham (Scram), Sam Claflin (o missionário Philip), Max Irons e a atriz francesa Astrid Bergès-Frisbey (Syrena, uma jovem sereia).
O roteiro de Pirates of the Caribbean: On Stranger Tides enfoca a busca da mítica Fonte de Juventude - história baseada no livro On Stranger Tides, de Tim Powers - e foi adaptado pelos autores do primeiro filme, Terry Rossio e Ted Elliot. Rob Marshall (Chicago) dirige a partir de junho.
A estreia é prevista para 20 de maio de 2011.
Leia mais sobre Piratas do Caribe 4

Episódio final de “Lost” terá 30 minutos a mais

  LostO final da última temorada de Lost (canal AXN, às terças, 21h) está chegando e os produtores da série se preparam para desvendar os mistérios da famosa ilha. A rede de televisão americana ABC revelou que o último episódio da série será extendido em 30 minutos.
Nos Estados Unidos, o episódio vai ao ar dia 23 de maio. A rede ABC vai exibir uma retrospectiva de duas horas de Lost antes do final.
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Heath Ledger se despede das telas em filme carregado de psicodelia

O mundo imaginário do Dr. Parnassus' estreia nesta sexta-feira (7).
Surrealismo não esconde perda de rumo da trama após a morte do ator.

Caio Terreran Do G1, em São Paulo
Nos créditos finais de "O mundo imaginário do Dr. Parnassus", antes mesmo do nome do diretor Terry Gilliam, sobe a frase "um filme de Heath Ledger e seus amigos". A homenagem é uma reverência ao ator, que morreu em janeiro de 2008, meses antes de o filme ser concluído.
Mais que o último parágrafo em seu epitáfio, no entanto, "Dr. Parnassus" é uma evidência do talento do astro de "O segredo de Brokeback mountain". À vontade na tela, Ledger parece livre do suposto esgotamento emocional pelo papel de Coringa em "Batman - O cavaleiro das trevas", que estreou seis meses antes de sua morte.
Leitura de mentes"O mundo imaginário do Dr. Parnassus" parte da chegada de um forasteiro, o desmemoriado Tony (vivido por Ledger), à trupe do Dr. Parnassus, interpretado pelo veterano Christopher Plummer (de "Em algum lugar do passado").
Veja imagens de 'O mundo imaginário do Dr. Parnassus'

O grupo de teatro mambembe encena na Londres contemporânea espetáculos que leem a mente de seus espectadores. Só que o poder que permite a Parnassus interpretar o inconsciente de sua plateia e deslumbrá-la vem de um pacto de imortalidade feito com o Diabo (em criativa atuação do cantor Tom Waits).
Heath Ledger e Lily Cole contracenam em cena do filme de 
Terry Gilliam.Heath Ledger e Lily Cole contracenam em cena do filme de Terry Gilliam. (Foto: Divulgação)
O pagamento do combinado é a posse da filha de Parnassus (na pele da novata Lily Cole) assim que ela complete 16 anos - a não ser que a trupe consiga capturar cinco almas antes da data.

Tenso com a possibilidade de ver sua herdeira nas mãos do demônio, Parnassus aceita modernizar seus shows para amealhar as almas necessárias e sofre com a exigência cada vez maior de penetrar mentes alheias.
Ledger em cenários surreais
O passeio pelos devaneios da plateia é a deixa para Gilliam (de "Os doze macacos", "Brazil - O filme" e responsável pelas animações do seriado cômico "Monty Python") desfilar seu notório apreço pela psicodelia. O visual caprichado garantiu ao filme indicações aos Oscar de direção de arte e figurino em 2009.
Christopher Plummer e Tom Waits, como Parnassus e o Diabo, 
respectivamente.Christopher Plummer e Tom Waits, como Parnassus e o Diabo, respectivamente. (Foto: Divulgação)
"Dr. Parnassus" é repleto de paisagens deslumbrantes e perturbadoras, que lembram obras de arte. Há cenas que trazem à mente desde quadros de Dalí (as quilométricas escadas de uma das perfomances oníricas da trupe se assemelham às patas de mosquito dos elefantes do artista) até pinturas de Bosch (os cenários em que o Diabo trava contato com Tony se parecem com o inferno de "O jardim das delícias terrenas").
Visual acima do roteiro
Ledger se sai bem no papel do homem que chega à companhia de Parnassus querendo esconder seu passado e passa maus bocados tentando sustentar suas mentiras. Mas a lisergia estética de Gilliam não sustenta o roteiro na ausência do ator.
Depp, Law e Farrell: trio se reveza para viver personagem de 
Ledger, morto em paralelo a filmagens.Depp, Law e Farrell: trio vive o personagem de Ledger, morto em paralelo a filmagens. (Foto: Divulgação)
Para substituí-lo, o diretor acionou Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrell, que se revezam nas cenas finais, assumindo o papel do protagonista e conferindo um ar ainda mais amalucado à já insana história. Dá para notar a perda no rumo da trama, como se o filme perdesse fôlego e sentido rumo a seu encerramento.

Ao final, a impressão que fica é a de que a viagem ao fantástico mundo de Gilliam vale mais para os fãs saudosos de Ledger e para os apreciadores de produções em que o esmero visual conta mais que o roteiro.

BAFÃO-Separação de Alexandre Pato e Sthefany Brito não será feita de forma amigável

Jogador entrou na Justiça com pedido de divórcio litigioso
CLARA PASSI

Queen Internacional 
O fim do casamento de Alexandre Pato, 20 anos, e Sthefany Brito, 22, chegou à Justiça do Rio na quinta-feira (29), em forma de separação litigiosa – quando um dos dois não aceita a separação ou quando não se chega a um acordo sobre quem tem direito a que na partilha dos bens. No processo, que corre em primeira instância na 9a Vara de Família do Rio, a atriz figura como ré. Nessa terça-feira (4), foram anexados documentos para apresentação à juíza Regina Helena Fabregas Ferreira.
De acordo com uma fonte ouvida por QUEM para a reportagem publicada na edição de 30 de abril, o casal assinou um pacto antenupcial prevendo que, em caso de separação, a atriz sairia com 15% do que construiu com o ex-marido. No entanto, pelo que se sabe, desde o casamento, em julho do ano passado, o jogador não adquiriu bem algum. A defesa de Sthefany deve alegar que, como Pato a sustentava com uma mesada para que ela não trabalhasse, Sthefany teve de abrir mão da carreira para acompanha-lo em Milão, onde ele joga no Milan.

O advogado João Paulo Lins e Silva, contratado por Pato para representa-lo, não pode se pronunciar sobre o caso, que, por se tratar de direito de família, corre em segredo de Justiça.

“Eu e Alexandre decidimos não falar nada sobre a separação. Ele não quer ser exposto”, disse o advogado a QUEM nesta quarta-feira (5). Ainda não há previsão de quando a sentença será dada. Procurada por QUEM, a juíza não quis comentar o caso.
O casamento de Sthefany e Pato durou nove meses. Uma pessoa próxima ao casal, que não quis se identificar, atribui à influência dos pais da atriz um dos motivos do fim do casamento: "Tanto a mãe quanto o pai sufocavam o Pato, tratavam ele como se fosse uma criança. Quando íam todos ao shopping, faziam um monte de compras e quem pagava era o Pato", contou.

Sthefany deve deixar Milão e voltar para o Rio definitivamente nos próximos dias. O atacante do Milan também estaria de viagem marcada para o Brasil na segunda quinzena deste mês. Ele deve ficar um tempo entre Pato Branco, sua cidade natal no Paraná, São Paulo e Rio.

AS MIL FACES DE JOHNNY DEPP

JOHNNY DEPP

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HUMOR DA NAHH

The current mood of nahh at nahh