domingo, 11 de março de 2012

DIVAS DO CINEMA- Marilyn Monroe

Dossiê Marilyn Monroe – Parte 1



Ainda faltam alguns meses até agosto, quando será relembrada a morte de Marilyn Monroe. Mas a estreia próxima do filme Uma Semana com Marilyn e a exposição de fotos da estrela, atualmente em São Paulo, provoca este especial sobre ela. Faço uma introdução ao filme para você entender melhor o longa, uma filmografia detalha de toda sua carreira e uma entrevista que dei ao Jornal da Tarde sobre ela.
sete dias com marylin Dossiê Marilyn Monroe – Parte 1
1 - Para entender melhor Sete Dias com Marilyn
Em meados dos anos 50, Marilyn Monroe queria provar a todo custo que era uma boa atriz, cursando o Actor´s Studio sob influencia de sua coach Paula Strasberg (1911-66), mulher de Lee Strasberg (1901-82) e mãe da atriz Susan Strasberg (1938-99), todos ligados e dirigentes do Studio. Também isso deve ter influenciado na escolha do novo marido da atriz, que foi o célebre dramaturgo Arthur Miller (1915-2005), judeu, autor de clássicos do teatro como A Morte do Caixeiro Viajante, Panorama Visto da Ponte e de dois textos que faria sobre Marilyn, Os Desajustados (que seria o último filme dela) e After the Fall (peça autobiográfica nunca filmada). Quem o interpreta no filme é o escocês Dougray Scott, de Missão Impossível 2. No seu testamento final, Marilyn deixou para Strasberg controle de setenta e cinco por cento de tudo que tinha, inclusive controle de sua imagem (como gratidão pela gentileza com que foi tratada. Hoje, a viúva dele, Anna Strasberg, que sucedeu Paula Strasberg, ficou rica com os milhões de dólares que ganha licenciando a imagem da estrela).
Para demonstrar seu talento, Marilyn fundou com seu amigo de confiança Milton H. Greene 1922-85 (vivido no filme por Dominic Cooper, o rapaz de Mama mia) uma produtora especialmente para fazer este filme que se chamou no Brasil O Príncipe Encantado (The Prince and the Show Girl, 57) para a Warner (um dos raros filmes que não é da Fox, o estúdio de Marilyn). Importante: Greene é justamente o fotógrafo que mais fotos tirou dela, que a conhecida desde o começo da carreira e a produtora deles durou somente o tempo deste projeto. A viúva de Greene depois se casaria com o famoso fotografo Richard Avedon.
Para Marilyn, era uma grande ousadia coproduzir um filme junto ao mais famoso ator de teatro britânico de sua época, Lord Laurence Olivier (1907-89), que era também famoso diretor de cinema por suas adaptações de Shakespeare (Hamlet, Henrique IV, Ricardo III). Aqui eles aproveitaram uma comédia que Olivier tinha feito no palco inglês com sua então mulher Vivien Leigh (1913-67, a lendária Scarlett O´Hara de E o Vento Levou). Naquele momento o casamento já era só de aparência e ela mantinha romances paralelos e tinha graves problemas de saúde . O divórcio porém só viria em 1961, quando ele se uniu abertamente a outra atriz, Joan Plowright. De qualquer forma, Vivien era ainda sedutora e mais bonita do que aparece no filme Sete Dias com Marilyn onde é vivida pela sem graça Julia Ormond, aquela que tentaram lançar como Sabrina de Sidney Pollack.
sete dias com marylin3 Dossiê Marilyn Monroe – Parte 1
O texto da peça e adaptação para o cinema foram de Terence Rattingan (1911-77), autor da moda na época de quem Vivien tinha feito Profundo Mar Azul (1955) e que também escreveu Vidas Separadas, Gente Muito Importante, Nunca te Amei, Cadete Winslow. Judi Dench que faz o papel da grande atriz de teatro Sybil Thorndike (1882-1976), que é apresentada com simpatia no filme, mas que fez poucos longas comoCoração Indômito, Nicholas Nickleby (do brasileiro Alberto Cavalcanti),Pavor nos Bastidores (de Hitchcock), De Mãos Dadas com o Diabo, A Grande Cartada.
Mas o mais impressionante do elenco é o trabalho de Kenneth Branagh, que foi indicado a todos os prêmios este ano por sua interpretação de Laurence Olivier, em que reflete não apenas em gestos e maneirismos, mas também em defeitos. Na verdade, Kenneth está homenageando seu ídolo já que sempre foi saudado como herdeiro de Olivier na sua tentativa de recriar Shakespeare no cinema (fez como ele Hamlet e Henrique IV). O problema é que hoje pouca gente se lembra de Olivier e não souberam avaliar como foi bom seu trabalho que nunca cai na caricatura.
Em Sete Dias com Marilyn foi feito um fiel revival dos bastidores da filmagem, inclusive rodando também nos estúdios da Pinewood. Como eu já gravei no lugar, consegui reconhecer os ambientes e lugares, inclusive exteriores.
Fui procurar o que escrevi nos guias sobre O Príncipe Encantado. Sinopse: Elsie é uma corista que, em 1911, durante as festas da coroação na Grã-Bretanha, se envolve com um príncipe de um país fictício. O flerte acaba se transformando em algo mais sério. Comentários: Marilyn é uma boa comediante que funciona no papel da corista. Ela perdeu alguns de seus piores maneirismos, por exemplo falar sempre sussurrando... ou deixar sempre a boca aberta, porque lhe disseram que assim fotografava melhor. Isso lhe abriu o caminho para depois estrelar sua obra prima Quanto mais Quente Melhor. Bem produzido, sempre teatral e agradável, não chega a ser um clássico mas é uma boa diversão.
sete dias com marylin2 Dossiê Marilyn Monroe – Parte 1
Em Uma Semana com Marilyn, a atriz Michelle Williams teve que recorrer a recursos de maquiagem usando enchimentos pelo corpo todo (tanto no busto, quanto no traseiro e inclusive usou uma dublê de corpo para uma cena de nudez). O filme original foi fotografado pelo grande Jack Cardiff (Karl Moffat o interpreta aqui) e Michelle reproduz apenas uma única sequência, assim mesmo estilizada, que a mais bonitinha, quando ela está sozinha na sala e ensaia alguns passos. Também na edição final do filme, o produtor Weinstein achou que era preciso fechar com imagens de Marilyn cantando. A grande sacada foi recriar duas sequencias com Michelle cantando (aparentemente com sua própria voz) músicas de O Mundo da Fantasia e de outro longa, mas sem reproduzir exatamente a cena, fizeram algo totalmente diferente, até mesmo na voz. Que nunca é sequer imitada. Como se fosse uma nova Marilyn. Como ninguém tem memória, isso acaba ajudando a tornar o trabalho de Michelle convincente.
São reais os problemas de Marilyn durante a filmagem, que flutuava de peso (tinha retenção de água) e realmente teve um aborto natural durante esse período. Laurence Olivier já estava contratado quando Marilyn entrou no projeto e por isso não abandonou o filme. Foi o único filme que Marilyn fez fora da América (na Inglaterra, claro) e era para ser um musical (mas Arthur Miller insistiu para que cortassem as canções). De qualquer forma, traumatizado, Olivier levaria anos para retornar à direção e assim mesmo em projeto pequeno (Three Sisters, 70).

via  

Rubens Ewald Filho

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