domingo, 23 de outubro de 2011

"Piratas das Caraíbas" - O Franchising mais bem sucedido


É preciso dizer, para começo de conversa, que a Disney descobriu a pólvora com "Piratas das Caraíbas". Se olharmos para estes 11 ou 12 anos de milénio, não encontraremos outro franchise tão bem-sucedido que não seja remake, adaptação, prequela ou sequela.
por Alexandre Borges




É claro que, subtraído o bizarro Capitão Jack Sparrow, os "Piratas" nada têm de novo, mas é esse, justamente, o segredo do seu sucesso. É uma amálgama de imaginários que todos conhecemos há séculos, das pernas de pau aos tesouros, de Barba Negra ao elixir da eterna juventude, fantasmas, feitiços, mapas misteriosos e afins, que faz com que famílias inteiras se sintam confortáveis em histórias nem sempre lineares e desfrutem, ainda assim, da surpresa de um enredo novo. Os "Piratas" foram perdendo qualidades desde o primeiro filme e nunca serão os favoritos da crítica, mas também não é para isso que lhes pagam.

O sabor a episódio é, no entanto, ainda mais evidente e aborrecido neste quarto volume. Já não é um filme. Não é uma obra em si mesma. É um capítulo de uma novela que se pode prolongar eternamente. Sentimos que é uma fórmula. E, se o leitor sentir o mesmo, e a sua família, e os amigos, e os vizinhos dos amigos, e muita gente por esse mundo fora, vai-se o interesse, vão-se os piratas e acaba-se a história que não disfarça não ter outro motivo para ser contada senão razões comerciais.

Depois dos filmes de 2003, 2006 e 2007, os "Piratas das Caraíbas" pareciam ter chegado ao fim. A Disney tinha já despedido o chairman Dick Cook, impulsionador da saga, e, afinal, três é a conta que também Hollywood fez. Eis senão quando, sob o propósito oficial de dever um novo filme aos fãs, surge "Por Estranhas Marés", muito livremente inspirado num livro homónimo de Tim Powers, já com novo chairman na Disney e novo realizador. Gore Verbinski andava noutra e foi substituído por Rob Marshall, homem mais dado a musicais ("Chicago", "Nove") que filmes de aventuras.

Preocupada com o excessivo enrodilhar da história, a Disney apostou num guião mais simples, dirigido pelas personagens e não pela teia de acontecimentos passados. Em paralelo, baixou a escala de produção, regressando a alguns meios mais simples (o que faz adivinhar que se está a ganhar margem para subir a fasquia em mais um ou dois episódios). Will (Orlando Bloom) e Elizabeth (Keira Knightley) desaparecem sem deixar rasto e ficam só os rivais na arte da pirataria Sparrow (Johnny Depp) e Barbossa (Geoffrey Rush). Entram em cena Ian McShane como Barba Negra, uma espécie de pirata-mor, Penélope Cruz como Angelica, filha de Barba Negra e antigo interesse romântico de Sparrow, e algumas sereias (mais um arquétipo familiar agregado ao cocktail) que resultam, aliás, nas melhores cenas do filme. Objectivo mais ou menos comum a todos: encontrar a mítica fonte da juventude.

A realização de Marshall, embora competente, não tem o ritmo nem os tempos de comédia de Verbinski e a redução de escala deixa os cenários exóticos a cheirar demasiadas vezes a isso mesmo: cenários. O facto de ser em 3D, é apenas a entediante notícia do costume. Quanto a Jack Sparrow, talvez permaneça uma personagem divertida para crianças, mas já nada surpreende na comédia física de Johnny Depp. Com duas agravantes: é impossível acreditar que o trapalhão Sparrow seja tão ágil nas sequências de acção e ainda mais impossível imaginar uma tórrida paixão entre aquela criatura andrógina e fugidia e Angelica (ou quem quer que seja, já agora).
Não faltará, por esse mundo fora, quem goste de rever o mesmo filme, mas, para isso, compra--se o DVD. É escusado filmar tudo outra vez. 

Crítico de cinema

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