sexta-feira, 28 de maio de 2010

Santoro requebra para virar astro em Hollywood

Parte do elenco de "O Golpista do Ano" ao lado de Jim Carrey, o ator brasileiro começou com pequenas pontas em Hollywood e agora estreia com papel menor em um filme polêmico
LAURA LOPES
Imdb
Santoro e Carrey, em cena de O Golpista do Ano. Jimmy (Santoro) foi o primeiro amor gay do protagonista
Rodrigo Santoro se revelou um ótimo ator há nove anos, protagonizando O Bicho de Sete Cabeças. E antes ainda, na carreira televisiva, em que fez o papel do Frei Malthus, atormentado pelo desejo à irresistível Hilda Furacão. Desde 2003, quando fez uma ponta muda em As Panteras - Detonando, dá passos de formiga para entrar na fábrica dos sonhos de Hollywood. Participa, segundo o autor de novelas Walcyr Carrasco comentou em seu blog em maio de 2008, de filmes menores, em que seu talento não é explorado. "Aqui no Brasil o Santoro vai ter os melhores papéis. Um atrás do outro, na TV e no cinema. Lá fora está criando uma carreira lentamente, mas com pequenas participações, muito aquém de seu talento", diz Carrasco. De fato, Santoro fez algumas participações em longas desprezados pela crítica (leia abaixo) e aparições que não exploram seu valor artístico – atenção transferida a seu tórax malhado e depilado.
Em O Golpista do Ano, que estreia na sexta-feira (4), seu personagem tem grande importância para o enredo, embora apareça pouco. E no pouco que faz, faz bem. Inclusive o idioma inglês que exibe com naturalidade – o que sempre foi uma preocupação do ator, que foi aprender a língua só aos 27 anos. Santoro parece ser bom aluno nas aulas de língua estrangeira: fez três filmes em espanhol – o argentino Leonera, Che 1 e Che 2, americanos

O Golpista do Ano tem outras virtudes, além de Santoro. Jim Carrey e Ewan MacGregor estão em excelente performance – as caras e bocas típicas de Carrey não são suficientes para empobrecer a trama. Pelo título em português, parece se tratar de uma comédia. Não é, apesar das cenas de humor. É o drama de um homem obsessivo por amar e dar golpes, nessa ordem. Steve Russel (Jim Carrey), ex-policial, ex-pai de família e ex-heterossexual, resolve que vai ter a vida que sempre quis e não sabia: fortuna e um homem para chamar de seu. Inteligentíssimo (seu QI é de 163), começa a aplicar golpes espantosos para bancar uma vida perfeita e luxuosa a seu par. Seu primeiro amor gay é Jimmy (Rodrigo Santoro). Com ele, vive uma tórrida paixão, com cenas picantes que foram censuradas e não estão na película distribuída no Brasil. Depois, na cadeia, encontra sua alma gêmea "que só vê o bem das pessoas", o meigo Phillip Morris (Ewan McGregor). O dom para o crime do colarinho branco é tão descarado que o espectador pode pensar que os diretores estão tentando ludibriar a plateia. Não estão.
O roteiro é baseado no livro I Love You Philip Morris (o nome original do filme), do jornalista investigativo Steve McVicker. Russel realmente existiu e, na última vez em que foi preso, em 1998, recebeu uma pena de 144 anos. A história não se encaixa nos moldes hollywoodianos, o que fez os diretores e roteiristas Glenn Ficarra e John Requa sentarem para escrever sem nenhuma garantia de orçamento. "É lamentável, porque se essa história fosse sobre um homem e uma mulher, teríamos conseguido toneladas de dinheiro", diz Requa. Foi por isso também que cenas picantes foram deletadas – e, com elas, parte da atuação de Santoro. Esperemos os próximos trabalhos com produtores americanos (rezando) para que o talento de Santoro tenha o devido reconhecimento de Los Angeles. Por aqui, ele logo estreia nos cinemas em atuação já elogiada como protagonista de um filme sobre o craque Heleno de Freitas, ídolo do Botafogo dos anos 40. Bonitão e bipolar, ele morreu de sífilis e louco em 1959.
 
Imdb
2003
 As Panteras - Detonando
Aparece quatro vezes e não fala em nenhuma delas. As cenas em que o ator abria a boca foram cortadas na edição do filme, o que foi recebido de forma natural por ele. Ao público, só restou a imagem do moço na praia, de bermuda e sem camisa. Parece que fez sucesso entre o elenco feminino – Lucy Liu, Drew Barrymore e Cameron Diaz. A participação ínfima frustrou o público brasileiro. 
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2006
 300
Trocaram a voz de Santoro por uma distorção demoníaca, encheram-lhe de pirecing e agigantaram o rapaz, que viveu o imperador Xerxes, vilão enorme. Ele foi eleito o quarto pior do cinema em 2007 numa pesquisa do site Moviefone, apesar de ter faturado US$ 456 milhões (custou US$ 65 milhões). Santoro gravou sozinho as cenas, em um fundo azul e "falando com um esparadrapo", segundo ele. "Xerxes comandava um exército de milhares de homens e o que eu via era uma parede azul!", disse à Folha de S.Paulo. E, mais uma vez, abdômen à mostra. Foi eleito o segundo pior filme de 2008 pelo jornal Times
 
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2008
 Cinturão Vermelho
Santoro é irmão de Alice Braga no filme de David Mamet. Ele é dono de boate e promotor de lutas e ela, mulher de um professor de jiu-jiutsu que resiste às lutas milionárias dando aula nos ringues. Santoro tem uma importância maior no roteiro, mas a crítica não recebeu este filme de Mamet tão bem como os anteriores. O longa foi considerado um dos 100 piores do ano pelo jornal britânico Times, ficando com o 64º lugar. 300, aqui em cima, ficou em 2º lugar.
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2008
 Che 1 - O Argentino e Che 2 - Guerrilha
Raúl Castro, irmão de Fidel, é vivido por Rodrigo Santoro nos dois filmes da saga dirigida por Steven Soderbergh. Mas é Benício del Toro, o protagonista, que reina no filme. Santoro faz uma participação ou outra, nada muito revelador. Ele foi escolhido principalmente pelo formato dos olhos amendoados, parecido com os do personagem real.
 
Fox
2009
 Recém Formada (em DVD)
Aqui, o ator brasileiro aparece mais, ao lado da protagonista Alexis Bledel (a Rory, do seriado Gilmore Girls). Ele é David, um "hot next-door neighbor" (algo como "vizinho atraente"), segundo a sinopse oficial do longa. Não é uma obra-prima, está mais para uma comédia para assistir num domingo chuvoso e deixar a alma leve.

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